
Este quadro fauvista, "Les coucous, tapis bleu et rose", de Henri Matisse, foi hoje leiloado em Paris por 32 milhões de euros .
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Polémica
Argentina expulsa bispo que nega crimes do Holocausto
O governo argentino deu dez dias ao bispo Richard Williamson para abandonar o país, depois da recente divulgação de uma entrevista em que o clérigo afirma que apenas «200 a 300 mil» judeus morreram nos campos de concentração
Segundo o ministério argentino do Interior, Williamson tem dez dias para abandonar o país. O bispo é a peça central de uma polémica que opõe o Vaticano ao mundo judaico e a países como a Alemanha e a Argentina.
Em Janeiro, o Papa Bento XVI decidira anular a excomungação de Williamson, justificada em 1988 pelo alinhamento do clérigo com um arcebispo contrário ao Concílio Vaticano II.
A medida foi duramente criticada por líderes judaicos e pela chanceler alemã Angela Merkel devido à recente divulgação de uma entrevista do bispo à televisão sueca, em que Williamson afirma que não morreram mais que «200 a 300 mil» judeus nos campos de concentração da Alemanha Nazi.
O clérigo disse ainda acreditar que não existiram quaisquer câmaras de gás e criticou os relatórios que serviram de base para o julgamento de Nuremberga.
O Vaticano ordenou que Williamson se retractasse publicamente, mas o bispo já afirmou que só o fará depois de estudar dados que comprovem os crimes do Holocausto.
Williamson recusou há dias um convite da imprensa alemã para visitar Auschwitz, e está a aumentar a pressão sobre o Vaticano para assumir uma posição forte perante o incidente.
SOL com agências

Justiça 30 anos depois Líder khmer vermelho impávido no início do julgamento
Três décadas depois da queda de um regime que levou à morte de 1,7 milhões de pessoas, um responsável khmer vermelho sentou-se hoje pela primeira vez no banco dos réus. Kaing Guek Eav, mais conhecido por Duch, dirigia a prisão S-21, o centro de tortura do regime. Ficou impávido a ouvir as declarações iniciais do juiz.
Não se esperava ouvir nada da sua parte (nem qualquer testemunha, o que só acontecerá no próximo mês), mas ainda assim, centenas de cambojanos fizeram fila para ocupar a sala do tribunal, que reservou 300 lugares para a população e jornalistas.
“Há 30 anos que esperávamos por este dia, mas não sei se vai acabar com o meu sofrimento”, afirmou aos jornalistas o pintor Vann Nath, que esteve na S-21 e só se salvou – ao contrário de outros 15 mil – porque se descobriu que pintava e foi escolhido para fazer retratos de Pol Pot, o líder do Khmer Vermelho. Hoje, Vann Nath conseguiu ver Duch de perto.
O tribunal, criado pelo Governo do Camboja com a ajuda das Nações Unidas, visa julgar os líderes sobreviventes do regime que entre 1975 e 1979 tentou levar à prática a utopia de uma sociedade onde não havia dinheiro, escolas, ou cidades. Milhares de pessoas foram enviadas para os campos para trabalhar, milhares morreram à fome, por doença ou por serem sumariamente executadas.
Duch foi acusado de crimes de guerra, tortura e homicídio. Os que escapavam ao centro que dirigia eram enviados para os “campos da morte”. Chegou a pedir perdão, através do seu advogado, e a fazer várias confissões a jornalistas. O seu papel será fundamental não só como arguido, mas também como testemunha dos julgamentos dos restantes elementos do Khmer Vermelho nas mãos da justiça: o “irmão número dois” do regime, Nuon Chea, o ex-Presidente Khieu Samphan, e Ieng Sary, então ministro dos Negócios Estrangeiros, e a mulher, Ieng Thirith.
PÚBLICO
Francisca Gorjão Henriques
17.02.2009 - 08h07

Comemora-se hoje o aniversário de Miep Gies, a mulher que ajudou Anne Frank e a sua família a esconder-se dos nazis em Amesterdão durante a Segunda Guerra Mundial.
Segundo a Fundação Anne Frank, Gies “está de boa saúde”. “Ela sente-se sempre muito afectada pela lembrança e pela importância de Anne Frank”, segundo um comunicado da Fundação Anne Frank. Gies comemora o seu 100º aniversário com a família e os amigos, e recusou entrevistas. “Não sou nenhuma heroína”, sublinhou. “Apenas fiz o que fiz para os ajudar”, disse Gies. Numa breve troca de e-mails com a Associated Press na semana passada, Miep Gies disse que era injusta toda a atenção concertada nela: “Tantos outros fizeram o mesmo ou mesmo coisas mais perigosas” para proteger judeus holandeses, sublinhou.
Miep Gies nasceu a 15 de Fevereiro de 1909 em Viena, Áustria, e chegou à Holanda quando tinha 11 anos. Na Primavera de 1942, Otto Frank, pai de Anne e patrão de Gies (ela era secretária na sua empresa familiar), pediu-lhe ajuda para se esconder. Gies concordou e a 6 de Julho os quatro membros da família Frank – mais tarde juntaram-se-lhes outros quatro clandestinos – esconderam-se no sótão de num anexo da empresa.
Durante dois anos, Miep Gies e três colegas encarregaram-se da alimentação e segurança dos oito clandestinos. Mas alguém os denunciou e os soldados nazis detiveram-nos a 4 de Agosto de 1944, enviando todos para campos de concentração. Miep Gies descobriu os manuscritos deixados por Anne e guardou-os, entregando-os no final da guerra a Otto Frank, o pai de Anne e único sobrevivente dos oito. No mesmo dia, Otto tinha descoberto que Anne tinha morrido de tifo, seis meses antes, no campo de Bergen-Belsen.
A primeira edição do diário da adolescente no sótão foi publicada em 1947 em holandês. Hoje está traduzido em mais de 70 línguas e é um dos livros mais lidos do mundo. Numa entrevista que deu, em 1997, pela Internet com crianças de todo o mundo, Gies falou do terrível “desapontamento” que sentiu quando os seus “amigos” foram detidos “tão perto do fim da guerra”, quando as forças aliadas estavam “a menos de 250 milhas [400 quilómetros] de Amesterdão”. Gies lembrou uma adolescente inquisitiva: “Estava sempre a fazer-me perguntas, especialmente sobre o que se passava fora do seu esconderijo. Eu era 20 anos mais velha, mas era como se falasse com uma pessoa muito mais velha do que uma adolescente”. Quanto aos negacionistas do Holocausto, Gies disse, numa outra entrevista, que lhes respondia apenas: “A 4 de Agosto de 1944, às nove da manhã, encontrei uma jovem e forte menina de 15 anos, Anne Frank. A coisa que vi a seguir foi o seu nome numa lista alemã numa carruagem de gado para Auschwitz”.
PÚBLICO 15.02.2009



