domingo, 15 de fevereiro de 2009

Miep Gies, a protectora de Anne Frank, celebra hoje 100 anos


Comemora-se hoje o aniversário de Miep Gies, a mulher que ajudou Anne Frank e a sua família a esconder-se dos nazis em Amesterdão durante a Segunda Guerra Mundial.

Segundo a Fundação Anne Frank, Gies “está de boa saúde”. “Ela sente-se sempre muito afectada pela lembrança e pela importância de Anne Frank”, segundo um comunicado da Fundação Anne Frank.
Gies comemora o seu 100º aniversário com a família e os amigos, e recusou entrevistas. “Não sou nenhuma heroína”, sublinhou. “Apenas fiz o que fiz para os ajudar”, disse Gies. Numa breve troca de e-mails com a Associated Press na semana passada, Miep Gies disse que era injusta toda a atenção concertada nela: “Tantos outros fizeram o mesmo ou mesmo coisas mais perigosas” para proteger judeus holandeses, sublinhou.

Miep Gies nasceu a 15 de Fevereiro de 1909 em Viena, Áustria, e chegou à Holanda quando tinha 11 anos.
Na Primavera de 1942, Otto Frank, pai de Anne e patrão de Gies (ela era secretária na sua empresa familiar), pediu-lhe ajuda para se esconder. Gies concordou e a 6 de Julho os quatro membros da família Frank – mais tarde juntaram-se-lhes outros quatro clandestinos – esconderam-se no sótão de num anexo da empresa.

Durante dois anos, Miep Gies e três colegas encarregaram-se da alimentação e segurança dos oito clandestinos. Mas alguém os denunciou e os soldados nazis detiveram-nos a 4 de Agosto de 1944, enviando todos para campos de concentração.
Miep Gies descobriu os manuscritos deixados por Anne e guardou-os, entregando-os no final da guerra a Otto Frank, o pai de Anne e único sobrevivente dos oito. No mesmo dia, Otto tinha descoberto que Anne tinha morrido de tifo, seis meses antes, no campo de Bergen-Belsen.

A primeira edição do diário da adolescente no sótão foi publicada em 1947 em holandês. Hoje está traduzido em mais de 70 línguas e é um dos livros mais lidos do mundo. Numa entrevista que deu, em 1997, pela Internet com crianças de todo o mundo, Gies falou do terrível “desapontamento” que sentiu quando os seus “amigos” foram detidos “tão perto do fim da guerra”, quando as forças aliadas estavam “a menos de 250 milhas [400 quilómetros] de Amesterdão”. Gies lembrou uma adolescente inquisitiva: “Estava sempre a fazer-me perguntas, especialmente sobre o que se passava fora do seu esconderijo. Eu era 20 anos mais velha, mas era como se falasse com uma pessoa muito mais velha do que uma adolescente”. Quanto aos negacionistas do Holocausto, Gies disse, numa outra entrevista, que lhes respondia apenas: “A 4 de Agosto de 1944, às nove da manhã, encontrei uma jovem e forte menina de 15 anos, Anne Frank. A coisa que vi a seguir foi o seu nome numa lista alemã numa carruagem de gado para Auschwitz”.

PÚBLICO 15.02.2009


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